quinta-feira, 4 de setembro de 2014

sonetos de madeira que só se levantaram porque lhes deste a vida

suas marcas no rosto são os sois
perdidos em tempos indefiníveis
(por mais que eu o tente)
e seus olhos são as duas pontas do cilindro negro
voltados para a mesma direção
sistólica e diastolicamente, teus ares me surgem e me matam
são o mistério da origem
a visão negra da galáxia, branca como o leite
     a aveia
    e a soja
     (tua pele)

todas as canções e todas as baladas são tolices diante
tudo que me torna e nos torna nada
toda lembrança e todo o conhecimento e todas os extratos
idem
e há de haver coragem para que se diga tudo
porque mesmo as palavras e os termos são vazios

talvez não se compreenda que o mais belo signo
é um tronco oco, de som opaco e puro
que tenta preencher os silêncios que quero ler e dizer
e que tenta ouvir a mudez das vozes

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