sexta-feira, 12 de setembro de 2014

placa

essa foi a despedida mais dura

as coisas já se mostravam em maus sinais
incompreensíveis antes do desfecho

são esses pensamentos vagos
palavras mortas e despedaçadas
tentando sobrepor-se à plástica noite

metade do seu rosto, apagado
da outra direção, um bêbado
e seus olhos em mim
já nem tão vermelhos

palavras perdidas e imagens
um vazio que substitui o proceder do tempo

estou trancado no ônibus
pensando em te ligar
em te escrever
em ti

no meu reflexo vejo a luz do extintor
e ouço aqueles risos
agonizantes
e sua voz


as vezes a gente desaba.


o som do nada reverberando dentro da minha caixa craniana
eu tenho vontade de nunca ter me calado pra ver o que vi
eu eu eu

eu escrevi isso algumas vezes e nunca pensei que estaria soterrado.

as vezes a gente desaba
as vezes
as vezes a gente
a gente desaba
as vezes desaba
a gente
as vezes a gente desaba

uma placa de metal fina ecoando ecoando e barulhos externos e deus













você está tao longe







tao quieta


não se desculpa
por favor

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