domingo, 14 de setembro de 2014

cabe ao homem

cabe ao homem pagar por uma passagem
      e cruzar estradas com figuras verdes de memórias
cabe ao homem o silêncio
        entre as senhoras conversando sobre novelas
cabe ao homem
        o olhar
      e o abraço
        todas as praças
      e todos os gestos
      e novamente os silêncios
cabe ao homem desfazer todos os nós
        que uma vez se deram
e cabe ao homem
        vez ou outra
        infelizmente
        aceitar o peso do signo
        (controlando os outros)
        grafando em tinta negra
        humilde e inocentemente

        Amor.

sábado, 13 de setembro de 2014

parede (mais uma vez ao miles davis)

deveras houve dias de presságios
mas nunca soube que a tempestade
traria par'o mesmo azul listrado
meu corpo mais uma vez esgotado

ao meu lado mais um (o mesmo dos dias inapagáveis)

sabe-se lá por quanto tempo haverá
ilustrações
recheando as paredes
antes de serem repintadas.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

placa

essa foi a despedida mais dura

as coisas já se mostravam em maus sinais
incompreensíveis antes do desfecho

são esses pensamentos vagos
palavras mortas e despedaçadas
tentando sobrepor-se à plástica noite

metade do seu rosto, apagado
da outra direção, um bêbado
e seus olhos em mim
já nem tão vermelhos

palavras perdidas e imagens
um vazio que substitui o proceder do tempo

estou trancado no ônibus
pensando em te ligar
em te escrever
em ti

no meu reflexo vejo a luz do extintor
e ouço aqueles risos
agonizantes
e sua voz


as vezes a gente desaba.


o som do nada reverberando dentro da minha caixa craniana
eu tenho vontade de nunca ter me calado pra ver o que vi
eu eu eu

eu escrevi isso algumas vezes e nunca pensei que estaria soterrado.

as vezes a gente desaba
as vezes
as vezes a gente
a gente desaba
as vezes desaba
a gente
as vezes a gente desaba

uma placa de metal fina ecoando ecoando e barulhos externos e deus













você está tao longe







tao quieta


não se desculpa
por favor

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

sonetos de madeira que só se levantaram porque lhes deste a vida

suas marcas no rosto são os sois
perdidos em tempos indefiníveis
(por mais que eu o tente)
e seus olhos são as duas pontas do cilindro negro
voltados para a mesma direção
sistólica e diastolicamente, teus ares me surgem e me matam
são o mistério da origem
a visão negra da galáxia, branca como o leite
     a aveia
    e a soja
     (tua pele)

todas as canções e todas as baladas são tolices diante
tudo que me torna e nos torna nada
toda lembrança e todo o conhecimento e todas os extratos
idem
e há de haver coragem para que se diga tudo
porque mesmo as palavras e os termos são vazios

talvez não se compreenda que o mais belo signo
é um tronco oco, de som opaco e puro
que tenta preencher os silêncios que quero ler e dizer
e que tenta ouvir a mudez das vozes